O Brasil tem muitas questões que precisam ser resolvidas. Falta de infraestrutura, burocracia em demasia, falta de planejamento, corrupção generalizada, educação deficiente e defasada, legislação restritiva, impostos em demasia com sistema tributário de alta complexidade etc.

Obviamente que tudo isso precisa ser endereçado, tratado e resolvido. Sem isso, estaremos sempre com o pé no freio, queimando embreagem ou qualquer que seja a metáfora que descreva a nossa incrível capacidade de não aproveitar a inteligência e criatividade de um povo trabalhador e empreendedor.

Sim, empreendedor. Podemos não ter a cultura do empreendedorismo, mas abrimos centenas de milhares de novas empresas todo ano no Brasil.

É por isso que também precisamos de uma agenda para andar para frente. Todo país precisa e países subdesenvolvidos ainda mais, afinal, estão atrasados e em desvantagem.

E não somente por estarmos atrás, mas por sermos mais lentos. Um país que tem conhecimento para exportar apenas commodities, não passa a gerar produtos de valor agregado do dia pra noite. Um estudo realizado por professores de Harvard mostra bem isso, o Atlas da Complexidade Econômica, mediu a quantidade de conhecimento produtivo que cada país detém. Seus autores acreditam que esta medida pode explicar as enormes diferenças de renda entre as nações do mundo e tem a capacidade de prever o ritmo a que os países vão crescer. Segundo eles, o estudo é muito mais previsível do que outros indicadores de desenvolvimento bem conhecidos, como aqueles que tentam medir a competitividade, governança e educação.

Se pensarmos que uma sociedade como um ecossistema, fica mais fácil entender. Se você criou uma máquina de café expresso, será muito mais difícil seguir adiante caso todo o ecossistema a sua volta esteja voltado apenas para vender grão. Você não encontrará profissionais capacitados, serviços adequados e até mesmo a legislação e o crédito não são pensados em você. Voltamos aos gargalos comentados no início do texto.

A HORA É AGORA

A boa notícia é que estamos passando por um período de ruptura. Uma transição entendida por muitos como uma nova Revolução Industrial. Uma mudança que foi fortemente impulsionada pela internet e agora está chegando ao mundo físico.

E este pode ser a oportunidade perfeita de pularmos vários passos e nos igualarmos aos países mais desenvolvidos.

Não será fácil, pois mesmo quem detém o status quo não está de bobo nesta história. As indústrias mais avançadas como EUA, Alemanha e China já têm planos nacionais para seguir a frente nesta nova revolução.

Barack Obama acredita que o movimento maker é o caminho para fazer renascer a indústria norte-americana e ajudar a criar novos empregos e novas indústrias pelas próximas décadas.

Quarta Revolução Industrial, Movimento Maker ou qualquer que seja o nome bonito usado para descrever este momento, o importante é que estamos vivenciando a democratização da inovação.

EU POSSO

Alguns anos atrás quando comecei com o projeto do Makers, tinha certeza que poderia ajudar a transformar pessoas, empresas e o país. O mesmo sentimento que tive nos primórdios da internet no Brasil quando abri a primeira agência digital do Brasil.

Sempre soube que eu era apenas uma partícula nisso tudo, mas o sentimento de ajudar a mudar o mundo para algo que acredito é muito inspirador.

Trabalhando mais forte nas frentes de educação e consultoria, não dependo do governo e até evito a proximidade. Até mesmo minhas iniciativas sociais procuro realizar sozinho ou com parceiros privados.

Porém, diferente da internet, esta nova revolução não vai demorar 25 anos para acontecer. E por isso é preciso ajudar a mostrar para a união, estados e municípios que é preciso acelerar nesta direção, senão vamos perder uma oportunidade única.

Para que esta missão tenha efeito, é preciso acreditar que mesmo no ambiente político — com toda o histórico negativo do Brasil — tem gente séria e competente tentando fazer um bom trabalho.

Também é preciso deixar de ser humilde e ser bem audacioso. Achar que posso ensinar qual caminho o Brasil deve tomar para pessoas que vivem para isso, tem longo histórico de contribuição e de sucesso pode parecer arrogante, mas a minha contribuição está muito mais em ajudar a entender a transição que estamos vivendo do que para ensinar essas pessoas a fazer seu trabalho. E para isso tenho currículo e pertinência.

Consegui discutir o assunto com o Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação Aldo Rebelo. Gostei da conversa e sai animado. Também tive oportunidade de conversar bastante com o Ministro da Micro e Pequena Empresa Guilherme Afif.

A pasta educação ser mais próxima do trabalho que as pessoas enxergam no Makers, são estes dois ministérios que acredito que podem fazer mais pela inovação. MCTI pelo motivo óbvio e SMPE porque a inovação vem das PME. A educação é sim fundamental, mas ela tem problemas que preciso tratar em outro texto.

Apesar do MCTI ter mais verba que muitos outros ministérios, acredito que está na articulação política. Até porque, este é um assunto que precisa ser transministerial.

Precisamos de muito pouco dinheiro para acertar o caminho. Para ficar apenas em um exemplo, mudar as regras para fomentar o investimento de risco custaria ZERO e traria muito mais resultado práticos que isentar impostos.

E justamente por isso, fiquei muito feliz de descobrir que Roberto Mangabeira Unger, Ministro de Assuntos Estratégicos do Brasil já percebeu a importância do movimento maker para o futuro do país. Não apenas acredita como está trabalhando nisso. Meu primeiro contato com o trabalho dele nesta direção foi através de um documento de quase 300 páginas chamado Produtivismo Includente. É um ótimo começo de discussão. O documento é assustadoramente honesto, preciso e prático, já que contém propostas e não apenas conceitos.

Tenho muitas críticas ao documento, mas ainda assim, é uma das melhores coisas que já vi no âmbito público em relação a inovação. E se 10% dele seguir adiante já será um avanço enorme na política pública.

E partiu do SAE o pedido de reunião com representantes ativos da comunidade maker para discutir o documento. O encontro foi organizado pelo pessoal do makerspace Olabi (RJ) e do Garagem Fab Lab (SP). Na foto, (por mera coincidência, ao meu lado) Tomás Lopes Teixeira, Diretor da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Nos próximos dias, estarei enviando para estes ministérios uma análise mais profunda de alguns pontos. Então se você quer colaborar, fale comigo.

E a audácia continua, o próximo passo é tentar conversar com o Ministro de Educação e com representantes do Estado e da Prefeitura de São Paulo.

Nem todos os convidados conseguiram participar e nem todo mundo que é importante na comunidade acabou sendo chamado, mas foi uma discussão bem interessante e o primeiro contato para poder encaminhar nossas críticas e anseios. Ainda que o governo tenha sido o pivô da reunião, me anima muito saber que tem muita gente legal batalhando em frentes que eu acredito.