Hugh Herr é escalador e uma das principais estrelas do TED. Entre seus vídeos no TED e Youtube, foram mais de 23 milhões de visualizações. Herr não ficou conhecido como escalador, mas por estar revolucionando a biotecnologia. Após perder suas duas pernas, fez mestrado em engenharia mecânica no MIT e doutorado em biofísica em Harvard. Desacreditado pelos médicos e motivado por seu drama pessoal, Herr revolucionou o mercado de próteses e agora está indo além. Neste final de ano, Herr esteve no Brasil para participar da HSM Expo e tive o prazer de conversar pessoalmente com ele.

Com dezenas de sensores e alguns microcontroladores, suas próteses inteligentes conseguem prever o movimento e permitem que as pessoas andem, dancem, corram e pratiquem esportes radicais como escalada.

Não satisfeito, Herr criou uma nova técnica para amputar pessoas, ligando os nervos para que eles possam ser usados naturalmente em conjunto com as próteses. Neste caso, a pessoa não precisa reaprender a usar o membro perdido.

O próximo passo será fazer a comunicação bidirecional, ou seja, o cérebro poder controlar a prótese e senti-la ao mesmo tempo.

Mas a grande provocação de Herr é afirmar que iremos bem além de ajudar pessoas com algum tipo de necessidade especial, estendendo o potencial do ser humano como um todo.

E quando isso acontecer, Herr acredita que muitos de nós não ficaremos satisfeitos em ter um corpo exclusivamente de carne e osso. E com isso, o próprio conceito de beleza irá mudar.

A tecnologia tem moldado nosso comportamento ao longo dos séculos. As grandes cidades, o mercado de trabalho, a educação. Muitas coisas que nem mesmo paramos para pensar são, pelo menos em parte, consequência das grandes revoluções tecnológicas. E hoje, com décadas de internet é bem fácil entender como a tecnologia vem mudando a cultura e comportamento, constantemente alterando a maneira como enxergamos o mundo.

O conceito de beleza já mudou ao longo dos séculos, mas uma coisa é falar que hoje tatuagens são bem aceitas ou até o fato de carecas serem mais charmosos que os cabeludos (gosto de acreditar nisso), outra bem diferente seria passear na avenida Paulista usando um terceiro braço e achar que isso será bem aceito.

Quando estivemos juntos, Herr me perguntou: por que não? E agora repasso a provocação a vocês.

ps. texto publicado originalmente na minha coluna no UOL