As pessoas finalmente descobriram que a carreira dura 60 anos e dificilmente esse tempo será realizado em uma única empresa.

Se no passado as pessoas precisavam aprender para ir trabalhar, hoje a própria carreira é uma jornada de aprendizado.

Dito isso, a conclusão óbvia é que o plano de carreira das empresas está muito voltado para o próprio umbigo.

Desenhar um plano para a profissional crescer dentro da empresa visa mais benefício para a empresa do que para o profissional.

E como sabemos, as empresas não estão preparadas para ser esta escola. A maioria absoluta dos líderes acreditam em 2 coisas. Primeiro, o digital vai mudar sua indústria. Segundo, sua estrutura não é a correta para competir neste novo cenário.

A empresa que não oferece oportunidades para desenvolver em um ambiente digital tem quinze vezes mais risco de perder seus líderes.
E vai piorar. Uma parte considerável (as estimativas apontam para 50%) dos empregos do futuro (próximo) não existem hoje.

É claro que as empresas já se preocupam com aquisição de novos conhecimentos e habilidades assim como coisas como experiência no exterior ou até transferência entre empresas do mesmo grupo, mas para o plano de carreira não ser apenas um plano de sucessão disfarçado, as empresas precisarão realmente olhar para o futuro e ter como foco o profissional.

Se falar de APIs abertas, open hardware, inovação aberta e outros conceitos de abertura ainda são delicados, imagine falar em preparar seus executivos para brilhar em outras empresas. Não é um desafio fácil. É uma mudança cultural complexa de se defender e com muitas perguntas sem respostas.

Enquanto falamos de IoT, IA, Blockchain, Makers, Indústria 4.0 e um monte de outras modernidades, não podemos esquecer que o RH terá que se reinventar e, para isso, contar com o apoio e carinho da alta gestão.

A boa notícia é que, paradoxalmente, quanto mais a empresa preparar seus executivos para crescer fora dela, mais ela será um ambiente propício para reter seus talentos.

* Fontes de referência para o texto: pesquisa Carreira dos Sonhos (Cia de Talentos); Deloitte Global Human Capital Trends, 2017; Fonte: MIT Sloan Management Review, 2016